capa faça acontecer sheryl sandberg

Faça acontecer (Lean In), Sheryl Sandberg

capa faça acontecer sheryl sandberg

Um dos livros que mais gostei de ler em 2014 foi o ‘Lean In’ (Faça Acontecer), da Sheryl Sandberg, COO do Facebook.

Antes dele, tinha lido o ‘Sonho Grande’, que conta como Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira construíram um império por meio do empreendedorismo e da valorização de uma forte cultura em suas empresas, baseada principalmente na meritocracia.

A história, a visão e a eficiência do trio é incrível, mas uma coisa me incomodou bastante nesse livro: as mulheres praticamente não são mencionadas. Com exceção às esposas dos executivos que aparecem alguma vezes, nenhuma mulher parece ter tido destaque no grupo, que dava oportunidades para qualquer pessoa, mesmo que tivesse entrado nas empresas como estagiário, chegar a ser sócio dos mega-empresários.

Isso me deixou intrigada. Se em empresas que valorizam fortemente o mérito e o esforço pessoal, nenhuma mulher parece ter se destacado, o que pode estar acontecendo com as profissionais do sexo feminino?

Foi então que descobri e comecei a ler o Lean In, que me trouxe muitas respostas e mudou bastante a minha visão sobre o mundo corporativo, as mulheres no mercado de trabalho e o porque de termos tantas meninas com desempenho tão bom ou melhor do que o dos meninos nas escolas, mais mulheres do que homens frequentando universidades, tantas profissionais mais dedicadas, empenhadas e responsáveis nas empresas, mas poucas mulheres em cargos de liderança.

Foi o livro da Sheryl Sandberg que abriu as portas para que eu percebesse que a igualdade de oportunidades entre os sexos ainda está longe de ser alcançada, entendesse o que significa o feminismo nos dias de hoje e visse a a importância de buscar mudanças em nossa cultura para que homens e mulheres realmente tenham oportunidades iguais. Ele foi, pra mim, como uma pedrinha que se solta e desencadeia uma avalanche inevitável e sem volta.

A partir da leitura sobre as mulheres em cargos de liderança, veio a busca de mais respostas e acabei entendendo mais sobre a representação das mulheres na cultura, no cinema e na propaganda, sobre a falta de destaque que profissionais do sexo feminino têm em diversas áreas apesar de seus feitos extraordinários, sobre a construção dos papeis sociais baseados em nos sexos desde a infância, por meio de brinquedos, exemplos e até elogios diferentes para meninos e meninas, a aparente liberdade sexual feminina, que esconde julgamentos morais baseados em dois pesos e duas medidas, justificados por motivos biológicos já desmentidos (o que me fez terminar o ano lendo ‘Sexo e Temperamento‘, de Margaret Mead, e a biografia que inspirou a série ‘Masters of Sex‘).

‘Faça acontecer’ me levou a ler outros livros escritos por mulheres, me inspirou a desenvolver um projeto relacionado a empreendedorismo feminino e tornou o meu olhar mais crítico em relação ao papel que se espera que a mulher desempenha no mundo. É um livro que recomendo muito para homens e mulheres e passei a dar de presente para todas as minhas amigas (se você é minha amiga e ainda não ganhou, aguarde :)).

Sheryl tenta encontrar explicações para o fato de haverem poucas mulheres liderando empresas. Ela menciona histórias pessoais, estudos e exemplos que mostram que diversos fatores contribuem para isso. Desde a forma com tratamos meninos e meninas desde pequenos, para que se enquadrem em papéis pré-estabelecidos, desencorajando meninas a terem grandes ambições, gostarem de arriscar, serem ousadas e aventureiras, até como os ambientes de trabalho são projetados de acordo com as necessidades masculinas. Alguns exemplos disso são salas de reunião de diretoria que não possuiam banheiros femininos e a percepção que ela teve da necessidade de se criar vagas de estacionamento para grávidas mais próximas da entrada da empresa, somente quando estava nessa situação, o que parece bobagem, mas é um problema de solução simples que ajuda a dar condições equivalentes para profissionais de ambos os sexos desempenharem seu trabalho com a mesma eficiência. Isso tudo acaba criando um circulo vicioso: com poucas mulheres em cargos de liderança, necessidades específicas como essa e outras acabam sendo ignoradas, dificultando a chegada de mulheres nesses cargos.

Outro ponto abordado que me chamou a atenção foi o fato de as oportunidades de networking e relacionamento favorecerem muito mais os homens do que as mulheres. A autora menciona a dificuldade que as mulheres têm de conseguirem um mentor, pois estes geralmente são profissionais mais experientes e bem sucedidos, em sua grande maioria homens, e a mentoria costuma acontecer em encontros informais, como almoços, cafés e jantares. Ora, se um executivo é visto jantando e conversando com uma jovem funcionária, provavelmente haverão julgamentos e fofocas, o que não aconteceria se o profissional fosse um rapaz. Encontros para networking também costumam acontecer em ambientes predominantemente mais masculinos ou depois do horário de trabalho, em happy hours e coquetéis. No ‘Sonho Grande’, por exemplo, são mencionadas viagens para a prática de pesca submarina, para a qual somente os homens eram convidados, em que se discutiam os negócios das empresas. Imagina se uma mulher casada vai ficar por aí em encontros com os colegas de trabalho? Precisa se dar ao respeito, né? Se tem filhos então, tem que correr pra casa pra cuidar das crianças.

trecho faça acontecer sheryl sandberg
As mulheres conquistaram o mercado de trabalho, mas os homens não assumiram sua parte da responsabilidade no trabalho em casa.

Isso leva a questão da (má) divisão das tarefas domésticas, também analisada por Sheryl. Ela diz que o cuidado com a casa e com os filhos ainda são vistos como obrigações apenas das mulheres e, se tem grandes ambições no trabalho, a profissional precisa encontrar um parceiro que disposto a encarar tudo isso como tarefas do casal e não só de uma das partes. Com isso, é possível que os dois se dediquem de forma equivalente as suas carreiras.

Há muitas outras análises interessantes, como o julgamento pela beleza em vez de pela competência, a interrupção da carreira durante a gravidez e o retorno ao mercado de trabalho após ter filhos, o mito de que as mulheres têm que fazer tudo e ser perfeitas em tudo o que fazem e a necessidade de homens e mulheres trabalharem juntos pela igualdade.

contra capa faça acontecer

É um livro que realmente vale a leitura, para homens e para mulheres, e que, com certeza, vai marcar uma mudança de perspectiva nos próximos anos em relação aos papéis dos dois sexos nas empresas e na vida doméstica.

Livros indicados neste post:

:: Faça acontecer: mulheres, trabalho e a vontade de liderar

:: Sonho grande: Como Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira revolucionaram o capitalismo brasileiro e conquistaram o mundo

:: Masters of sex

:: Sexo E Temperamento

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